Intro logo O Cerrado é um entrelaçado de elos, profundamente unidos, uma
trama a se revelar. É mais que galhos tortos e cachoeiras,
são Cerrados, algo pra você mergulhar.
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A dualidade do Cerrado A própria agropecuária depende dos serviços gerados pelo Cerrado. Sem o cerrado de pé, os impactos são significativos: a chuva tende a ficar irregular e provocar quebras de safras, o que gera um prejuízo de dezenas de milhões de reais por ano; a polinização dos cultivos fica gravemente prejudicada, gerando insegurança alimentar, pois 60% das espécies cultivadas dependem de polinização - entre elas a soja, o café, a laranja e o feijão; já o desequilíbrio causado pelo desmatamento provoca o contato entre espécies silvestres e domesticadas, possibilitando a transmissão de doenças, entre tantos outros impactos. A dualidade do Cerrado Invariavelmente, o elo entre o sistema produtivo agropecuário e o cerrado de pé não recebe a devida atenção, mas é intrincado e deve alertar a todos a fim de promover a reflexão e a busca por interações mais equilibradas.
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O Cerrado Essa diversidade tem enorme valor e papel fundamental na vida de todos. O Cerrado é fonte de moléculas de onde se extraem diversos fármacos guardados pelo conhecimento tradicional e cada vez mais estudado por cientistas. O Cerrado Essa farmácia viva nos oferece inúmeras opções que vão desde: a cervejinha do campo (Arrabidaea brachypoda) para tratar lesões de Leishmaniose, a secreção da pele da perereca Phyllomedusa oreades para o tratamento de Chagas, o Barbatimão (Stryphnodendron adstringens) para cicatrização e infecções, o Pacari (Lafoensia pacari A.St.-Hil.) para gastrite, úlcera e feridas na pele - entre uma infinidades de outros usos populares. O Cerrado Os frutos do Cerrado cativam nosso paladar há gerações, criando uma relação identitária riquíssima. Certamente o alimento símbolo do Cerrado é o Pequi (Caryocar brasiliense), mas ele está também acompanhado de muitos outros, entre eles, se destacam: a castanha do Baru (Dipteryx alata), o palmito de Gueroba (Syagrus oleracea), os cajus nativos do Cerrado (Anacardium nanum e Anacardium humile), o Buriti (Mauritia flexuosa), o Jatobá do Cerrado (Hymenaea stigonocarpa), o Maracujá do Mato (Passiflora cincinnata), a Cagaita (Eugenia dysenterica), a Mama-cadela (Brosimum gaudichaudii), o Araticum (Annona crassiflora) e mais uma centena de outros frutos. O Cerrado Além de fármacos e alimentos, nosso bioma mantém sistemas complexos de suporte à vida, entre eles o ciclo hidrológico. As árvores do Cerrado costumam ter raízes muito longas que permitem a captação de água de solos profundos, jogando água na atmosfera e, assim, mantendo a umidade do ar (evapotranspiração). O Cerrado Essas mesmas raízes deixam o solo mais poroso, facilitando a infiltração da água da chuva no solo, o que por sua vez fará com que este libere água aos poucos, o que mantém os rios nos períodos secos. Portanto, manter o cerrado de pé é preservar água para todos.

Cerrado Protegido Dentre as diferentes Áreas Protegidas brasileiras temos as Unidades de Conservação (UC), que ocupam 8,5% do Cerrado. Entretanto, se consideramos somente as UCs que são cobertas por vegetação nativa essa porcentagem cai para apenas 6,5% do Cerrado de pé protegido. Se focarmos apenas nas áreas de Proteção Integral, que possuem maior poder de bloquear o desmatamento, o Cerrado teria apenas 3,2% de sua área protegida. As Terras Indígenas têm um papel importante nessa proteção, protegendo cerca de 4% do bioma. No entanto, ainda é muito pouco. Tendo em vista que cerca de 80% do Cerrado está sobre propriedades rurais, é imprescindível engajar esses proprietários em ações de proteção do Bioma.

Cerrado Protegido O Instituto Cerrados por meio de diferentes projetos têm criado essas reservas junto ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com a parceria do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF, sigla em Inglês), Nature and Culture International (NCI), Funatura, Embaixada da França e parceiros locais como a Associação do Córrego da Barriguda e Cabeceira do Rio das Almas.

Hoje o Cerrado tem mais de 255 RPPNs, somando mais de 180 mil hectares - isso equivale a 21% das RPPNs do país. Porém a importância das RPPNs do Cerrado não se mede somente pela sua abrangência, mas também pela singularidade das áreas que protegem. O envolvimento dos proprietários rurais no processo de criação permite que sejam protegidos fragmentos tanto próximos de grandes Parques, como em meio a áreas intensamente ocupadas, servindo de refúgio para fauna e protegendo ecossistemas sensíveis.

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O Serrado: A porção desmatada do
Cerrado.

Diferentes aspectos impulsionaram a ocupação agropecuária do bioma. Entre eles se destacam os vastos planaltos, o clima bem demarcado e a mão de obra barata disponível, juntamente com os aperfeiçoamentos técnicos nos mais diferentes aspectos de diferentes cultivos. Isso fez com que 46% do Cerrado fosse “Serrado”, desmatado, já que 96% das áreas ocupadas do bioma são para uso agropecuário. Hoje 42% da soja e 44% da carne bovina exportada pelo Brasil vêm deste bioma - essa exportação gera um elo de consumo com o resto do mundo.
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Áreas
degradadas
do Cerrado
Apenas conter o desmatamento no Cerrado não é suficiente. Como já foram desmatados mais de 46% do bioma, e cerca de 36 milhões de hectares de pastagens estão degradadas, é necessário um grande esforço de restauração. As áreas degradadas do bioma poderiam ser restauradas tanto para restabelecer o habitat de espécies nativas quanto para um uso florestal e agropecuário mais eficiente - integrando finalidade produtiva com conservação de biodiversidade.

Áreas degradadas Diferentes técnicas podem ser utilizadas para restaurar áreas degradadas no Cerrado, entre elas: semeadura direta, plantio de mudas, condução da regeneração natural e sistemas agroflorestais. Cada uma com seus potenciais e suas limitações, que variam a depender das características da área e dos objetivos que se pretende alcançar com as ações de restauração. A escolha da técnica a ser utilizada em cada situação é crucial para que os objetivos sejam atingidos e os benefícios da restauração sejam maximizados. Areas degradadas Infelizmente, há inúmeros exemplos em que isso não acontece da melhor forma. Já existem orientações para escolher a técnica de acordo com as característica da área (ver https://www.webambiente.gov.br/), mas acreditamos que é necessário detalhar as potencialidades de cada uma das técnicas, levando em conta a particularidade da situação. Áreas degradadas Essa informação sobre quais objetivos cada técnica melhor atende em cada situação precisa ser adequadamente sistematizada e amplamente divulgada de forma simples e direta. Apenas dessa forma, teremos uma restauração adequada dos diferentes ecossistemas do Cerrado.

Sociobiodiversidade Os povos e as comunidades tradicionais e outras populações do campo habitantes do Cerrado contribuem com a conservação do bioma porque vivem uma relação de pertencimento com seu território: proteger o Cerrado é defender sua identidade e seus modos de vida. O conhecimento popular sobre a biodiversidade do Cerrado, posto em prática no dia a dia das comunidades, é um dos motivos do Cerrado ainda estar de pé nesses locais. O agroextrativismo de produtos da flora e fauna, como frutas, sementes, fibras, cascas, mel, entre outros, fortalece a economia das comunidades, contribui para sua segurança alimentar e são uma expressão cultural. Estas formas de uso da paisagem permitem a manutenção dos ciclos da água, dos fluxos genéticos da biodiversidade e dos estoques de carbono na vegetação e no solo, ou seja, prestam relevantes serviços ecossistêmicos para a sociedade.

Sociobiodiversidade O uso sustentável da paisagem do Cerrado baseado em conhecimentos, práticas e saberes desenvolvidos pela interação com o bioma ao longo de gerações é uma característica comum aos Povos do Cerrado; ao mesmo tempo, estes são muitos, com culturas e tradições diversas: são Geraizeiros, Vazanteiros, Quebradeiras de Coco Babaçu, Comunidades de Fundo e Fecho de Pasto, Apanhadoras de Flores Sempre Vivas, Quilombolas, Povos Indígenas, agricultores familiares e agroextrativistas que se unem em organizações comunitárias, movimentos sociais populares e redes para protagonizarem a defesa de seus direitos ao território, ao bem viver e à conservação do bioma. Sociobiodiversidade A paisagem dos territórios habitados por estas comunidades destaca-se das áreas de entorno ocupadas por grandes monoculturas de grãos, pastagens, mineração e monocultivos de árvores por fazerem roçados diversificados e sistemas agroflorestais; por manterem a vegetação nativa e conservarem nascentes e cursos d´água. Sociobiodiversidade Mesmo sofrendo fortes pressões, como desmatamento ilegal, grilagem de terras e fragilidades fundiárias, o estado de conservação desses territórios, em alguns casos, faz deles corredores e trampolins de conexão com áreas protegidas como Unidades de Conservação, Terras Indígenas e mesmo com áreas privadas protegidas por lei, como Reservas Legais e Áreas de Preservação Permanente. Sociobiodiversidade É importante promover as cadeias dos produtos da sociobiodiversidade e fortalecer as economias das comunidades, por exemplo, por meio de políticas públicas de fomento e pelo consumo responsável e consciente, de forma que possam continuar suas práticas tradicionais, práticas que conservam o Cerrado pelo uso sustentável da paisagem. Sociobiodiversidade Sociobiodiversidade
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